quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Repensar a Educação: Vale a pena ver com vela que não ver


Que as redes sociais se tenham tornado num poço e uma poça de reivindicações, piadas e palhaçada, mais do que um real exercício de cidadania, estamos todos cientes. Mas o que se assiste nos últimos tempos, principalmente com vídeos e imagens muitas vezes adulteradas, é de antever tempos miseráveis que se avizinham.
A pressa em querer ser o primeiro a postar e mostrar-se o mais atento, sábio ou smart leva alguns de nós ao ridículo, eu inclusive. E não há excepção, não são só os mais novos, há gente crescida metida nisto.
Falar da educação e falar sobre a educação são duas coisas completamente diferentes. Todos podemos dar palpites e apontar possíveis caminhos, mas poucos, só pouquíssimos têm o peito pronto para apontar os caminhos de forma lúcida e ajustada à desafiadora realidade das nossas escolas.
Não é novidade para ninguém que a meio de um turno, para nós os que trabalhamos no Curso Nocturno, haja um corte no fornecimento de corrente eléctrica. E aí, como 'se vira' o professor que tem um programa por cumprir?
As escolas públicas como centros de ensino-aprendizagem, arrisco-me a assumir, não têm alternativas para prosseguir com as actividades nestas circunstâncias e muitas vezes que isso acontece, interrompem-nas até quando a corrente retomar, incerteza!
Já passei por situações em que ficamos uma semana sem aulas nem informação sobre quando a corrente eléctrica retomaria, algo que gera transtornos profundos no trabalho de qualquer profissional. Não se deveria ignorar esta realidade.
Alguns gestores sensibilizam os alunos a buscar fontes alternativas desde lanternas e velas, excepcionalmente para os períodos de avaliações e não vejo nenhum mal nisso. Aliás, essa prática não é exclusiva da escola que partilhou a informação que está na boca do povo.
Será que vale a pena ter que arcar com prejuízos do desperdício de enunciados por conta de um eventual corte de energia elétrica quando poderíamos prevenir com base em alternativas possíveis?
Só para provocar, quantos dos nossos filhos vão às aulas com uma garrafa de água? Será que é anormal ou estamos numa sociedade que ridiculariza tudo menos nada?
Como dizem os mais novos, PRECISAMOS SER ESTUDADOS, assim também não dá.

*Nota útil:*
Porque não há bela sem senão, precisamos repensar na comunicação institucional tendo em conta o advento das redes sociais. Nem tudo deveria ser partilhado por escrito, de modo a proteger-nos dos transtornos que imagino os meus colegas devem estar a estas alturas a enfrentar.
Abraços à família educação!

🤷🏾‍♂️
Antero de Almeida
Professor

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