quarta-feira, 5 de junho de 2024

Carta do Céu

Passamos todos dias bons e maus,

Momentos de alegria e de delicadeza!

Ninguém sabe quando dura um sorriso,
Nem em quanto tempo secará uma lágrima.

Isso não deveria retrair nenhum humano,
Permitir que percamos o sentido da vida,
O gosto de dormir e despertar em paz,
O prazer de ver no outro uma alma dócil!

Nos nossos dias é fácil ter amigos,
Difícil é mesmo ser;
É fácil partilhar momentos,
Complicado é cria-los.

Vivemos com medo de amar,
E de ser amados;
Nutrimos o medo de perder,
E de nos ver perdidos!

Somos todos egoístas,
Embora defendamos a partilha;
Somos o símbolo da maldição,
Mas julgamos os que revelam desvio!

A vida não se resume em ganhos e perdas,
Conquistas e reconquistas são só uma parte,
Viver é, principalmente conviver sem receios,
É ter a coragem de perder o medo de ter medo!

☀️

Que nos acompanhe hoje, em particular,
A coragem de ir à cama livres,
Com o cérebro e alma aliviados,
Pelo incondicional perdão a nós próprios,
E àqueles que por qualquer eventualidade
Tornaram turvo um instante passageiro...

É preciso coragem para viver!

🦅
Antero de Almeida
Sonhador

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Repensar a Educação: Vale a pena ver com vela que não ver


Que as redes sociais se tenham tornado num poço e uma poça de reivindicações, piadas e palhaçada, mais do que um real exercício de cidadania, estamos todos cientes. Mas o que se assiste nos últimos tempos, principalmente com vídeos e imagens muitas vezes adulteradas, é de antever tempos miseráveis que se avizinham.
A pressa em querer ser o primeiro a postar e mostrar-se o mais atento, sábio ou smart leva alguns de nós ao ridículo, eu inclusive. E não há excepção, não são só os mais novos, há gente crescida metida nisto.
Falar da educação e falar sobre a educação são duas coisas completamente diferentes. Todos podemos dar palpites e apontar possíveis caminhos, mas poucos, só pouquíssimos têm o peito pronto para apontar os caminhos de forma lúcida e ajustada à desafiadora realidade das nossas escolas.
Não é novidade para ninguém que a meio de um turno, para nós os que trabalhamos no Curso Nocturno, haja um corte no fornecimento de corrente eléctrica. E aí, como 'se vira' o professor que tem um programa por cumprir?
As escolas públicas como centros de ensino-aprendizagem, arrisco-me a assumir, não têm alternativas para prosseguir com as actividades nestas circunstâncias e muitas vezes que isso acontece, interrompem-nas até quando a corrente retomar, incerteza!
Já passei por situações em que ficamos uma semana sem aulas nem informação sobre quando a corrente eléctrica retomaria, algo que gera transtornos profundos no trabalho de qualquer profissional. Não se deveria ignorar esta realidade.
Alguns gestores sensibilizam os alunos a buscar fontes alternativas desde lanternas e velas, excepcionalmente para os períodos de avaliações e não vejo nenhum mal nisso. Aliás, essa prática não é exclusiva da escola que partilhou a informação que está na boca do povo.
Será que vale a pena ter que arcar com prejuízos do desperdício de enunciados por conta de um eventual corte de energia elétrica quando poderíamos prevenir com base em alternativas possíveis?
Só para provocar, quantos dos nossos filhos vão às aulas com uma garrafa de água? Será que é anormal ou estamos numa sociedade que ridiculariza tudo menos nada?
Como dizem os mais novos, PRECISAMOS SER ESTUDADOS, assim também não dá.

*Nota útil:*
Porque não há bela sem senão, precisamos repensar na comunicação institucional tendo em conta o advento das redes sociais. Nem tudo deveria ser partilhado por escrito, de modo a proteger-nos dos transtornos que imagino os meus colegas devem estar a estas alturas a enfrentar.
Abraços à família educação!

🤷🏾‍♂️
Antero de Almeida
Professor

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Saber ouvir: Os sinais da vida!

Saber ouvir

Nasci por acaso. Gostaria de ter uma explicação lógica para a minha existência como pessoa. Toda e qualquer tentativa seria mera coincidência e até aventura.
Meus pais até podem tentar inventar uma razão, mas de uma coisa estou certo, só Deus sabe o que está por detrás de cada um de nós.
Vivemos dias complicados ultimamente. E, infelizmente, a tendência é degradante e assustadora. Ninguém quer parar para pensar no outro e nem sequer ouvi-lo. Somos egoístas e precipitados; materialistas e enervados.
Basta se ter um diplomazinho, tudo se torna pior. Até o mais ignorante acha-se académico, mesmo sem saber ao certo o que diz. Devem ser os sinais dos tempos!
Hoje vim contar uma história real, em duas linhas, que envolve um Doutor Senhor e um grupo de crianças de uma comunidade.
Estava lá o Doutor metido a pesquisador a meio a mata. Queria extrair uma fotografia de um pássaro raro, certamente para postar e mostrar a seus amigos e demais.
Vendo-o aproximar-se junto de um monte de areia as crianças gritaram em uníssono:
- Titio, wa pswanya matximba! (Cuidado com fezes!)
O Senhor Doutor não se importou e prosseguiu a jornada, afinal era detentor de métodos de observação adquiridos em academias internacionais. Ninguém o parava.
Um dos meninos ousados, aproximou-se e tentou dar um sinal, infelizmente o Doutor ignorou. Os certificados acumulados falaram bem mais alto.
Na sua inocência, as crianças limitaram-se a observar, eis que de repente, da mata saiu um Senhor Doutor todo 'encocoado'.
- Porcaria, estes tipos não prestam pah! O que é isto agora? Fogoh!
Era tanta a vergonha que cercava o doutorado que as crianças ficaram com medo.
- Hi ku dzwelile! (Nós avisamos!)
É assim como muitos jovens e adultos passam a vida hoje a lamentar, não por falta de aviso, mas por não terem o discernimento para ouvir e tomar decisões mais conscientes.
Vivemos momentos em que andamos todos às pressas, sim, queremos todos chegar, mas é preciso olhar para os lados e perceber se é momento para seguir ou vale a pena parar e pensar.
As fezes andam em todo o lado desta vida e basta um pouco de atenção para evitar pisa-las.
Sortivelmente o 'encocoado' foi socorrido pela comunidade que o seu água e sabão para se lavar. Só assim seguiu viagem no seu Prado, depois de uma lição aprendida...
Não se ignoram os sinais!

🦅
Antero de Almeida
Sonhador

domingo, 2 de abril de 2023

Review of Competences in Primary Education Curriculum in Mozambique

This article aims to discuss competence assessment in primary education in 
Mozambique, based in the New Curriculum perspective (INDE, 2020), the transformations in the assessment regulation (MINEDH, 2019), and our experience as a teacher and pedagogical technician in Mozambique.

Keywords: competence, assessment, curriculum, primary education

https://up-mz.academia.edu/AnteroNhantumbo

domingo, 26 de março de 2023

Café com amor! ☕



Quase todos gostamos de uma chávena de café. Com ou sem leite. Batido ou não. Concentrado ou não. Café é sempre café.
O café é como o amor. Quem não gosta é por alguma situação passada. Ninguém vive sem amar.
Engane-se quem se considere suficiente para se auto-satisfazer. Ninguém se completa no planeta, fora Deus. Ninguém gera e consome felicidade. Ninguém é pleno e feliz sozinho.
A gente ferve água, bate o café. Vê com emoção o borbulhar da mistura e quando se acresce o leite ou malte, ah, água na boca! É tanta loucura, tal como quando espera pela pessoa amada. O amor é bom, como é um bom café.
Depois de batido, colocamos água fervente. Como um bom beijo caliente, o vapor torna-se convidativo a mais um e outro gole. Com ou sem açúcar, o cenário está desenhado. Quem vive sem amar?
O café, tal como o amor, é irresistível. Se não houver impedimentos sanitários ou de outra índole, sentimo-nos sempre tentados a tomar mais um e mais outro.
O pecado surge quando as distrações tomam conta de nós. Achamos que é mais importante estar ao telemóvel ou sair com amigos ou continuar a vida como se não tivéssemos alguém que espera por nós para se sentir complet@.
Aí o café esfria, perde o gosto e aquele aroma excitante. Deixa de ser café e passa a ser qualquer coisa menos café. Com o amor é também assim. A relação transforma-se.
Aquele café por nós próprios batido já não faz sentido. Já não tomamos. Queremos outro. Ou até já não queremos mais café. Queremos outra coisa que o substitua.
Decepção!
Mas no início queríamos café. Nosso investimento mental e emocional estava focado no café. Preparamo-lo com gosto e prazer. Infelizmente perdeu gosto e prazer...

Não deixes esfriar o café, toma-o quentinho.

🧘🏽‍♂️
Antero de Almeida
Sonhador

segunda-feira, 13 de março de 2023

Versos 40

Na idade que tenho,
Já não se busca fama;
Na esteira ou na cama,
O que importa é o sonho!

Sei bem de onde venho,
E das por que passei;
E do que não posso sei,
E nunca me envergonho!

Busco aprender da vida,
Sem medo da partida,
A única certeza absoluta!

Se me entristeço, oro,
Não choro, nem imploro,
Nem tudo vale minha luta!

🧘🏽‍♂️
Antero de Almeida
Sonhador

in 40 para 40: celebrando a vida

segunda-feira, 6 de março de 2023

Repensando Moçambique

 

20 anos após a publicação, decidi revisitar a Agenda 2025 e achei este, de entre os 4 cenários desenhados pela competente equipa, o Comité de Conselheiros, interessante não só pelo sugestivo título, mas também o conteúdo descrito. Transcrevo, fielmente, 'sem por nem tirar nenhuma vírgula':

🧘🏽‍♂️

Cenário - do Cabrito

 

Este cenário foi construído com base na simulação da alteração da variável Paz, Estabilidade Política e Social. A prática sistemática da exclusão social, o crescimento sucessivo das desigualdades sociais e regionais com base em critérios unilateralmente definidos, leva a que a distância para uma eventual guerra é de apenas um passo. A História de Moçambique demonstrou que a exclusão social sistemática a que os moçambicanos foram votados durante o regime colonial provocou uma revolta colectiva que, facilmente,

se transformou na luta armada para a Independência de Moçambique.

Nos nossos dias, a corrupção está a alastrar-se, provocando a falta de iniciativa e o espírito do deixa-andar que resultam no trabalhar o menos possível para se obterem súbitos e elevados rendimentos e lucros, frequentemente ilícitos. Com a corrupção vem a exclusão social afectando, primeiro, os mais pobres e mais fracos e, a seguir, aqueles que não aceitam colaborar com os corruptos para, mais tarde, se verificar a exclusão de todos os que não agem da mesma maneira ou não trabalham para o engrandecimento

de um determinado actor de momento. Se esta situação não for controlada, poderá provocar instabilidade social, cujo crescimento pode fazer perigar a paz.

A falta de tolerância e de respeito pelas opiniões contrárias, a tendência para excluir outros com base na opção política, na base do nível social ou económico, ou com base na região, nas etnias, línguas, crenças religiosas, raça ou na cor da pele, ou mesmo por simples conveniência pessoal, continua sendo uma realidade visível no nosso País.

Por isso, não é de excluir esta hipótese de cenário. Tal como noutros países africanos, rapidamente se pode passar de um confronto verbal, mais ou menos agressivo, para uma situação de violência generalizada e incontrolável, mesmo, para os próprios dirigentes, qualquer que seja o seu partido ou tendência política. Os trágicos acontecimentos de Montepuez e outros são de ocorrência recente e todos os moçambicanos se devem unir contra estes actos que destroem vidas e bens, consomem energias, recursos financeiros e nos desviam das tarefas essenciais de construção do bem-estar do País.

Porque o fenómeno da corrupção e da exclusão tem sido popularmente identificado com a simbologia popular do cabrito que come tudo onde está amarrado, convencionou-se designar este cenário como o do cabrito. É um cenário que se caracteriza como sendo o da instabilidade social, da confrontação e eventual guerra. Neste ambiente, a corrupção aumenta, os níveis de produção ressentem-se em baixa, os custos elevam-se, a competitividade baixa e o desemprego aumenta. Ao se manterem tais incertezas e tendências, a guerra pode voltar e com ela a desgraça, a morte e o aumento da pobreza

absoluta. Se tal acontecer, o País vai retroceder ainda mais, a situação será para todos

pior.

A projecção comparativa para as 7 variáveis determinantes seleccionadas, caso o cenário do cabrito se venha a concretizar, mostra que em todas elas se verifica um retrocesso. Poderá generalizar-se um clima de instabilidade social, o desenvolvimento rural será

o primeiro a ser afectado e o País poderá regredir para uma situação similar à de 1992, aquando do fim da guerra, cujas consequências nefastas, cada um dos moçambicanos guarda tristemente na memória.

A situação das variáveis seleccionadas no domínio do Capital Humano também sofrerá retrocesso. A educação, tal como aconteceu durante a guerra pós-independência, terá muito menor abrangência e a crise de valores morais, sociais e cívicos terá efeitos negativos sobre a formação integral da criança, do jovem e do adulto Moçambicanos. A acção dos serviços de saúde será reduzida a um número cada vez menor de cidades e vilas e não haverá recursos nem condições para se estender a um número cada vez maior de cidadãos.

A violência verbal ou armada desperdiça meios, gasta energias e é totalmente improdutiva.

Na simulação efectuada, o conjunto do capital social é o que menos será afectado, tal não se devendo, porém, a eventuais vantagens da instabilidade social generalizada e à eventual guerra, mas sim à adopção de mecanismos de defesa aos níveis familiar e comunitário. O conjunto das variáveis determinantes referidas no âmbito do Capital Humano é igualmente afectado.

A pequena diferença que se verifica deve-se tão somente ao baixo nível de desenvolvimento em que o País se encontra. Nos restantes conjuntos de variáveis determinantes, os retrocessos serão significativos, com particular destaque para os domínios da boa governação e os das variáveis transversais.

Todavia, o acesso à terra será afectado e surgirão os “sem terra” em virtude da corrupção e da instabilidade provocada pelo clima de violência. Em relação à família, seus valores tradicionais e instituições locais, possivelmente permanecerão na mesma, pois, como normalmente acontece em situações de crise, essa será a única via de sobrevivência colectiva.

No cenário do cabrito, em relação às variáveis seleccionadas no âmbito económico, haverá um retrocesso significativo no domínio macroeconómico devido ao aumento das despesas na área da defesa e da segurança, os níveis de poupanças e de investimento cairão bastante e as poucas infraestruturas que existem ficarão ainda mais degradadas, tornando-se difícil a sua reabilitação.

A única variável determinante que, possivelmente, continuará aos níveis próximos dos actuais é a da produção e da competitividade, não porque um clima de guerra contribua para o aumento da produção, uma vez que Moçambique não tem indústria bélica, mas porque os níveis de produção tenderão a manter-se e verificar-se-á, entretanto, uma tendência para aumentarem as assimetrias entre as zonas que, eventualmente, estiverem em guerra e as zonas onde a guerra ainda não tiver chegado.

Evidentemente, a democracia e a participação do cidadão nos processos de tomada de decisão deixarão de se exercer plenamente e a legalidade será definida pela força das armas e do mais forte não sendo reconhecidas as instituições do Estado nem o quadro legal a que elas estão sujeitas.

 

In Agenda 2025: Visão e Estratégias da Nação (2003)

Capítulo 3: Páginas 86 - 87

https://www.mef.gov.mz/index.php/publicacoes/agenda-2025/83-agenda-2025/file

 

Carta do Céu

Passamos todos dias bons e maus, Momentos de alegria e de delicadeza! Ninguém sabe quando dura um sorriso, Nem em quanto tempo secará uma ...